A população moçambicana cresceu nos últimos 20 anos de 13,6 para 23,4 milhões de habitantes e espera-se que em 2025 alcance os 32,4 milhões (United Nations, 2011). Moçambique tem actualmente um produto interno bruto (PIB) per capita de US$390 (Health Systems Database, 2010), dos mais baixos do mundo. De acordo com o último relatório nacional de progresso sobre os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODMs, 2010), a percentagem da população que vive abaixo da linha nacional de pobreza é de 54,7%. 

A segurança alimentar e nutricional em Moçambique está fortemente associada a condições ambientais. Mais de 70% da população depende da agricultura irrigada pela chuva, e as catástrofes ambientais são frequentes, tornando Moçambique um país extremamente vulnerável e levando o Governo a solicitar ajuda internacional para alimentar milhares de pessoas atingidas pela fome (Impact of  environmental degradation and emergencies on children in Mozambique – Part 1, 2011).

A taxa de alfabetização da população é de 55% (31% das mulheres não tem qualquer escolaridade), cerca de 2/3 da população vive em áreas rurais e apenas 47% da população tem acesso a água potável (MISAU, INE, ICF Internacional, 2012).

A expectativa de vida é de 49 anos, a mais baixa de toda a áfrica sub-Sahariana (Health Systems Database, 2010). Importa referir que a expectativa de vida é um dos indicadores considerados como uma medida do estado geral de saúde e da qualidade de vida da população.

Muito embora se tenham registado, ao longo dos últimos anos, algumas melhorias no estado de saúde da população, Moçambique apresenta indicadores de saúde francamente piores do que a maioria dos seus vizinhos africanos bem como dos mais baixos a nível mundial.

Em 2011, a mortalidade materna apresentou valores na ordem dos 550 por 100.000 e a mortalidade infantil foi de 64 por 1.000 novos nascimentos (INE, MISAU, ICF International, 2012). De referir a elevada mortalidade neonatal (30 por cada 1.000) e para crianças com menos de 5 anos (97 por cada 1.000) (INE, MISAU, ICF International, 2012). Cerca de 44% das crianças sofre de desnutrição crónica.
A taxa de prevalência de SIDA estabilizou nos 11,5% a nível nacional, muito embora com grande variabilidade regional, enquanto a incidência de tuberculose (TB) aumentou em virtude do aumento de casos de co-infecção entre TB-HIV. Já os casos de malária têm vindo a reduzir consideravelmente nos últimos anos, enquanto as doenças não transmissíveis (diabetes, hipertensão, dislipidemia, cancro) constituem um problema crescente na área da saúde pública em Moçambique (INE, MISAU, ICF International, 2012).

É reconhecida pelas entidades de saúde nacionais (MISAU) a enorme carência em recursos humanos bem como a insuficiente qualificação dos quadros da saúde.

É também reconhecida a enorme carência em equipamento, mesmo do mais básico como balanças, mesas e cadeiras (MISAU). Situações clínicas que exigem algum meio auxiliar de diagnóstico, mesmo dos mais simples como uma radiografia, um hemograma ou um electrocardiograma, não encontram possibilidade de resolução fácil.  

Paralelamente, é frequente a ruptura de stocks de medicamentos e de materiais essenciais, o que dificulta grandemente a prestação de assistência adequada às populações (MISAU).

Finalmente, a falta de informação das populações e as distâncias, agravadas pelas dificuldades de acesso, dificultam enormemente a prestação de cuidados e consequentemente comprometem a melhoria do estado de saúde da população moçambicana.